
Fim de ano! Ano novo! A vida não se divide. Mas a mudança de calendário convida a mudar lugares dentro de ti.
Olha para trás: houve anos recheados de alegria, outros mais desafiantes. Uns convidaram a expandir, outros a abrandar. Mesmo quando não querias aprender, as oportunidades estiveram lá. Para a Vida, nenhum deles foi errado, nenhum deles foi desperdiçado. Para a Vida todos os anos são relevantes; todos os passos foram os necessários para a vida se fazer e hoje saberes o que, de outra forma, seria impossível aprender.
Fim de ano. Ano Novo. A continuidade da Vida que não desiste de ti –mesmo quando consideraste desistir.
O ano novo vem atento: observa se o teu passado está em paz. Onde não a encontrar, o novo vai repetir o antigo até que tudo possa encontrar o seu lugar em ti. Até que contigo caminhem as aprendizagens que te fortalecem e permitem avançar. E a vida não tem pressa. Dá-te, uma e outra vez, ano após ano, as oportunidades e circunstâncias necessárias para poderes crescer, incluir e expandir.
Nessa ordem natural da vida: primeiro o que é essencial, depois o restante. E quando esta ordem é invertida, a vida torna-se sofrida.
Pois a vida não desiste de colocar diante de nós o que é necessário. O que precisa ser incluído e acolhido.
O que não foi honrado, repete-se.
O que é abraçado, descansa.
Entrar num novo ano não pode ser apenas sobre fazer mais promessas e traçar metas distantes. Precisa ser, em primeiro, um olhar para o que é essencial. E depois para o importante. E então, para o restante.
Entrar num novo lugar precisa de um olhar para o que foi descartado, invalidado e excluído. E de tudo isso trazer o que acrescenta e engrandece.
Transforma o passado numa boa companhia para o resto da vida, onde o velho e o novo possam caminhar unidos, em parceria. E tu sejas quem une o passado e o futuro, a cada momento presente.
Entrar no ano novo não pode ser sobre querer mais, sem antes reconhecer e acolher o que já cá está. Recordar, sentir e trazer o essencial, que sempre se faz presente:
a força que veio dos pais,
o impulso que veio da vida,
e a humildade de não saber como será.
O futuro não precisa de ser conhecido, precisa de ser permitido. Pela vida anterior.
Então, para que o novo não seja o passado repetido, é necessário encontrar um novo sentido para aquilo que foi vivido e ainda está dorido.
Quando encontras força no passado, tal como foi, o novo encontra um bom lugar para chegar.

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